Comunicado a propósito do filme “Peter Rabbit”

Quarta-feira 28th, Março 2018 / 20:38
Comunicado a propósito do filme “Peter Rabbit”

Estreia esta quinta-feira, dia 29 de março, em Portugal o filme infantil “Peter Rabbit”.

A Alimenta – Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares alerta todos aqueles que sofram de alergias alimentares, seus pais, familiares e amigos, que uma das cenas do filme pode ser especialmente perturbante para crianças que sofram de alergias alimentares.

Isto porque o herói “Peter Rabbit”, sabendo que o “vilão”, Tom McGregor, é alérgico a amoras, tenta atingi-lo com esses frutos, conseguindo mesmo que uma das amoras entre na boca do vilão. Este começa a ter uma reação alérgica grave, com falta de ar, e tenta utilizar a sua caneta de adrenalina, o que acaba por conseguir, caindo para o lado de exaustão. Neste momento “Peter Rabbit” e os seus amigos celebram a sua “vitória”.

Ou seja, o “herói” da história, e figura na qual é suposto as crianças se reverem ou admirarem, propositadamente provoca uma reação alérgica grave a uma outra personagem que sabe ter uma alergia alimentar, celebrando ainda este seu comportamento que só pode ser caraterizado como “bullying”.

A Alimenta sugere a todos aqueles que pretendam ver o filme com crianças com alergias alimentares que previamente falem com eles sobre esta cena, sobre “bullying” e “piadas” feitas à custa de quem sofre de alergias alimentares (ou até que reequacionem a visualização do filme).

A Alimenta junta-se ainda às muitas vozes que, a nível mundial, condenaram e lamentaram a falta de sensibilidade dos responsáveis pelo filme (produzido pela Sony Pictures), realçando mais uma vez a importância de todos, enquanto comunidade, percebemos a necessidade de criar uma cada vez maior consciência coletiva para os riscos (muitas vezes fatais) que aqueles que sofrem alergias alimentares enfrentam.

Fazer piadas à custa de quem sofre de alergias alimentares e glorificar o “bullying” sobre estes, ainda para mais num filme infantil que será visto por crianças que sofrem desta doença, não é apenas cruel, é também encorajar a audiência a não levar a sério os riscos das alergias alimentares e a menosprezar os comportamentos que aumentam os riscos de quem sofre de alergias alimentares.

É certo, e reconhecemos, que a Sony Pictures emitiu um pedido de desculpa pela cena do filme, mas também é certo que o mesmo continua em cena, em Portugal e por todo o mundo, sendo apenas o mais recente exemplo de filmes ou séries televisivas que abordam de forma inaceitável, ligeira ou humorística as alergias alimentares. Tal tem de acabar.

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