Hugo, 29 anos, alergia a frutos secos, tomate, espinafre, maçã, pêssego, morango, manga, milho e cevada

Sexta-feira 16th, Janeiro 2015 / 16:47

Em 2001 descobri, da pior maneira, que tenho alergias alimentares.

Depois de uma noite a ver um filme, sozinho em casa, e a comer amendoins, fui para a cama. Era normal comer amendoins, adorava estar a descascar e a comer enquanto via filmes. Como disse, fui para a cama sem sequer pensar em nada deste género. Acordei a meio da noite com uma comichão enorme nas palmas das mãos, parecia que era por dentro da pele, e sentia-me particularmente agitado. Levantei-me e fui por as mãos debaixo de água fria para aliviar a comichão, porque coçar não resolvia. Melhorei e tentei dormir de novo para ver se aquilo passava, mas foi em vão. A comichão alastrou-se de tal forma que a minha agitação acordou os meus pais. Ao acender a luz a minha mãe apanhou um susto com o meu aspecto. De pronto chamou o meu pai para me levarem ao hospital. No elevador, o espelho não mentia. Toda a minha cara estava cheio de borbulhões, o nariz inchado, as orelhas, os lábios, os olhos… Fiquei alarmado com aquele aspecto e isso fez-me ficar ainda mais nervoso e fez com que a reacção alastrasse com mais velocidade. A caminho do hospital já sentia muita dificuldade em respirar. Já no hospital, salvaram-me a vida. Deram-me uma injecção com uma dose de “cavalo” e meteram-me a soro e a oxigénio durante umas horas valentes. Só depois me informaram que tinha sofrido um choque anafilático. Na altura presumimos que tinha sido derivado ao gel de banho.

Entretanto fui reencaminhado para o Hospital de São João, no Porto, onde tenho sido seguido desde então no departamento de Imunoalergologia. Já sou cliente da casa à bastante tempo e até já sou tratado pelo nome por todos. Segundo dizem, sou um dos poucos que tem tantas alergias e que não teimam em desaparecer. A única que já me deixou foi a alergia às laranjas, fruto que agora como quase todos os dias, depois de uns anos sem comer o dito fruto.

Resumindo, sou alérgico a tudo o que é frutos secos, desde amendoins, nozes, avelâs, castanhas ou pinhões, sou também alérgico a tomate e espinafre e sou alérgico a maçã, pêssego, morango, manga, milho e cevada. Espero não me ter esquecido de nenhum… Basicamente, tenho uma grande dificuldade em comer em restaurantes porque inúmeras coisas levam tomate, comida italiana por exemplo nem pensar. Ir a casamentos implica dar uma lista de coisas que não posso comer aos noivos, a última vez que fui limitei-me a comer um prato em três e mesmo nas sobremesas é muito limitado. Para explicar a certas pessoas que não posso comer e que não, não é porque não gosto ou sou esquisito, é deveras complicado.

Depois disto já tive mais dois choques anafiláticos, onde consegui manter a calma e dirigir-me pelo meu pé a um hospital, onde tenho sido sempre atendido muito rapidamente, embora uma ida ao hospital num caso destes implique ficar umas 8 horas a soro, no mínimo, depois de uma injecção das valentes.

A minha experiência nisto diz-me que, principalmente no mundo da restauração, as pessoas ainda não estão preparadas para isto. A simples utilização de uma faca que corte um fruto que eu não posso comer e depois irem passar num fruto que eu vou comer pode-me colocar em risco. E poucos são aqueles que limpam os utensílios de cozinha depois de usarem numa fruta ou legume e voltam a usar noutro. Esta pequena atenção pode salvar vidas.

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