Alimenta assina protocolo para espaço da nova sede

A Alimenta assinou, no dia 31 de Julho, um protocolo de cooperação com a Junta de Freguesia do Lumiar, com vista à instalação da sua sede, a par com outras associações sem fins lucrativos, num espaço denominado Casa da Cidadania, situado na Alameda das Linhas de Torres, em Lisboa.

Para além dos representantes das várias associações, a cerimónia de Assinatura dos Protocolos de Cooperação contou com a presença de Pedro Delgado Alves, presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, e de João Afonso, vereador do Pelouro dos Direitos Sociais, na Câmara Municipal de Lisboa.

Inscrições abertas para cursos de Alergia Alimentar na Escola e na Restauração

As inscrições para os cursos, em regime de e-learning, “Alergia Alimentar na Escola” e “Alergia Alimentar na Restauração” já se encontram abertas.

Ambos os cursos integram o Programa Alergia Alimentar da Comunidade, da Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação e da Faculdade de Medicina, da Universidade de Porto, que pretende consciencializar e formar o sector da educação e da restauração.

 

4.º Curso de Alergia Alimentar decorre em Abril

O 4.º Curso de Alergia Alimentar, uma pós-graduação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, organizada em conjunto com a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, o Centro Hospitalar de São João e a Coordenação do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte, realizar-se-á no decorrer do mês de Abril.

A edição de 2017 funcionará em regime de formação à distância complementada com três sessões presenciais, que também serão transmitidas em direto para os participantes que não possam assistir presencialmente. O curso online decorrerá de 2 a 30 de Abril; as sessões presenciais irão decorrer nos dias 7, 21 e 28 de Abril, entre as 14h00 e as 18h00, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

A Alimenta integrará o painel dedicado ao tema do Impacto da Alergia Alimentar na Comunidade, no dia 28 de Abril.

Canetas de adrenalina: esclarecimento do Infarmed

No seguimento da sinalização da Alimenta – Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares junto do Infarmed, relativamente à ruptura de stock da caneta de adrenalina da marca Anapen, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde fez saber que:

“Face às características da patologia associada e à importância destes dispositivos como medida de primeiros-socorros enquanto é esperada assistência médica de emergência, no âmbito das atividades regulares do Infarmed na monitorização da utilização do medicamento em Portugal é dedicada especial atenção ao efetivo acesso dos doentes a estes medicamentos.

[…] Foi efetuada uma revisão adicional dos dados de utilização de autoinjetores de adrenalina. Com base nos últimos dados disponíveis, não se identificaram alterações significativas ao padrão de utilização destes medicamentos que corroborem dificuldades no acesso aos medicamentos. Os agentes responsáveis pela colocação dos medicamentos no mercado confirmam dificuldades pontuais relacionados com aumentos inesperados de procura, sanados num curto espaço de tempo, sem prejuízo dos doentes, porque é mantido um stock de emergência para fazer face a constrangimentos inesperados. Não obstante, continuaremos a monitorizar o mercado por forma a garantir o normal acesso aos medicamentos em causa, com a permanente disponibilidade para reanalisar a situação destes medicamentos de forma extraordinária sempre que tal se afigure necessário.”

Alimenta alerta Infarmed para ruptura de stock da Anapen

A Alimenta teve conhecimento da ruptura de stock nas farmácias portuguesas das canetas de adrenalina da marca Anapen, que estará esgotada no próprio fornecedor.

Apesar de neste momento ser vendida em Portugal uma caneta de adrenalina de outra marca, a Epipen, o modo de utilização das duas canetas é diferente.

Por isso, e considerando que a Anapen é a marca há mais tempo no mercado português e, consequentemente, é aquela com que os doentes, familiares, escolas, cuidadores, etc., estão mais familiarizadas (incluindo com o respectivo modo de administração), a Alimenta já informou o Infarmed da respectiva ruptura de stock.

De acordo com a informação que nos foi prestada, o Infarmed encontra-se a analisar esta situação.

Logo que a Alimenta tenha mais informações sobre este assunto, comunicará as mesmas.

Pedro Maia, 38 anos, alérgico às Xantinas

O meu nome é Pedro e até há um ano atrás olhava com desdém para pessoas com alergias. Como é que uma comida específica poderia fazer tão mal a alguém, e ainda por cima só fazer mal a partir de certa idade? Sempre desconfiei de pessoas que, em adultas, de repente se declaravam alérgicas ou intolerantes a algum alimento, ao ponto de em alguns casos dar-lhes um pouco desse alimento na comida (aquilo que vejo hoje como uma atrocidade e que felizmente só fiz mesmo com pessoas com falsas alergias).

Sempre fui obeso, com o meu peso a oscilar entre os 140 e os 170 quilogramas desde os 20 anos. Vivi em vários países, imergi-me nas suas gastronomias e sempre fui um grande apreciador da boa mesa. Há cerca de um ano resolvi porém que estava na hora de perder peso porque a minha profissão obriga-me a várias deslocações de avião e nessas alturas sentia-me bastante censurado por quem me rodeava.

Feita uma breve experimentação com vários regimes alimentares, adaptei-me bem a uma alimentação LCHF (Low Carb High Fat) e, sem exercício, comecei a perder peso ao longo das semanas… 170… 165… 150…140…135…130…120… e eis que nesta milestone acontece o primeiro episódio de alergia.

O meu trabalho obriga por vezes a grandes jornadas nocturnas em que faço uso de copiosas quantidades de café. Numa dessas noites bebi cerca de 1 litro de um belíssimo blend de arábicas das Caraíbas e o resultado foi acabar na cama com palpitações e um crescente aperto na garganta. Consegui controlar a minha respiração na manhã seguinte e atribuí a obstrução que sentia no pescoço a alguma inflamação pelas muitas horas de reuniões que tinha tido no dia anterior mas ao longo da manhã a sensação de aperto piorou até que ao almoço dei entrada no hospital.

Como estava em Portugal nada foi feito na urgência: fui diagnosticado a olho pelo médico com uma pneumonia química, medicado com um poderoso anti-histamínico e mandado para casa ao fim de 12 horas.

O episódio seguinte aconteceu em Londres após a ingestão das minhas trufas de chocolate 85% favoritas onde, fruto de um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde fui finalmente diagnosticado por um médico imunoalergologista (sim, em Inglaterra à especialistas nas urgências, quem diria?) bastante surpreso: pela primeira vez em 10 anos de carreira o clínico confrontava-se com alguém que tinha testado positivo a todas as xantinas externas ao corpo humano.

As Xantinas existem em nós, fazem parte do nosso organismo. As xantinas externas de origem não-animal que podemos consumir são a Cafeína, a Teobromina e a Teofilina. Existe ainda uma forma animal destas xantinas que é a para-xantina, resultantes de um animal se alimentar com as plantas que contêm xantinas. Enquanto a Cafeína e a Teofilina são relativamente fáceis de evitar consumir por terem portadores óbvios (café e chá) a Teobromina tem sido aquela que mais vezes me tem levado ao hospital dado que não só está no chocolate mas também na alfarroba e em vários frutos secos quando não devidamente processados em separado de grãos cacau, o que lança um manto de suspeita sobre nozes, pistácios, cajus, castanhas do maranhão e outros.

Durante 37 anos a minha obesidade protegeu-me de desenvolver alergia a estas substâncias, e quanto mais peso perdi mais violentas se tornaram as reacções a cada vez mais pequenas doses.

Se a minha primeira reacção ao café aconteceu depois de ter ingerido um litro do mesmo, a mais recente (à poucas horas antes de escrever estas palavras) aconteceu simplesmente com café em pó em suspensão no ar de um café enquanto a proprietária moía o café sem ter a tampa no depósito de café moído. Mal a reacção alérgica começou saí imediatamente e agora cá estou, com os olhos raiados de sangue, ainda muito pingo no nariz, mas já felizmente sem o aperto na garganta que me acompanhou nas primeiras duas horas após o contacto. Estou são e salvo, vou sobreviver, sobrevivi a mais um ataque do destino.

Como quando peço uma cevada e me trazem um instantâneo de cereais e café como se fosse só cevada ou uma chávena com algum café porque se enganaram à primeira a fazer o pedido.

Como quando me trazem um chá e me dizem que é uma infusão.

Como quando aplico um creme que não descrimina que tem manteiga de cacau nos ingredientes.

Como quando me garantem que uma sobremesa não tem chocolate e depois dizem que afinal tem quando já estou a fazer uso da Anapen.

Como quando num café apinhado, com má circulação de ar, os vapores de café acabam por me provocar uma reacção alérgica.

É difícil… procuro sobreviver… ironizo muito com a minha situação, há gente a viver em muito piores condições de vida… tento não tomar anti-histamínicos muito fortes, às vezes aguento um episódio só com Cetirizina porque não cheguei a ter sintomas demasiados violentos e esperando que a obstrução das vias respiratórias não aconteça de forma tão rápida que me impeça de chegar à minha mochila e usar a Anapen.

Todas as ingestões de comida fora de casa são muito complicadas: ainda recentemente num restaurante com estrelas Michelin, em Genebra, tive uma reacção alérgica porque se esqueceram que os cubinhos de gelatina de medula de vaca tinham sido feitos com chá preto. Antes tinha sido um gelado de limão que afinal também tinha chocolate branco como ingrediente secreto, em Paris, a dar o mote para mais uma ida às urgências numa das raras ocasiões em que não tinha a Anapen por perto.

É complicado viver assim… perdi já todo o meu excesso de peso, tenho actualmente 84kgs para 182cm mas não há um só dia em que não deseje voltar a ter 170 se me garantissem que voltaria a não ser alérgico às xantinas e a viver nesta prisão invisível, rodeado de inimigos que não conheço onde se escondem e à mercê dos conhecimentos de confecção de um empregado de mesa ou a falta de uma tampa no reservatório de um moinho de café.

Gostava de poder viver outra vez como vivi, é muito difícil ser tão regrado com a alimentação quando uma alergia se manifesta na idade adulta, quando estas coisas se desenvolvem em criança é mais fácil lidar com estas sentenças de morte escondidas e desenvolver mecanismos para evitar males maiores como por exemplo andar SEMPRE com uma Anapen por perto.

E pronto… assim se vive e (às vezes quase) se morre.

Matilde Sena, 10 anos, intolerante à lactose e alérgica à mostarda

A Matilde foi diagnosticada com 15 dias de vida quando apresentou graves sintomas a ser amamentada exclusivamente.  Diarreias crónicas, vómitos persistentes, eczema atópico exacerbado, urticária e pele muito vermelha e perdeu quase 800 g. Aos 6 meses esteve em coma 3 dias. Nasceu alérgica a APLV, Soja, ovo peixe, Frutos secos e frutos com pelo. Fez tratamento de dessensibilização e aos 4 anos todas as alergias tinham passado, mas no processo ficou Intolerante Crónica à Lactose. O ano passado descobrimos alergia à mostarda. Para ela o mais difícil é não poder comer o mesmo que os colegas e ter de andar sempre com a “Lunchbox” atrás. No verão o que mais a tenta são as montras dos gelados.

Ela gostava que as pessoas fizessem salsichas sem mostarda (adora salsichas). Que fossem mais compreensivas e tivesse mais soluções para poder ir a restaurantes. Com esta situação, aprendeu que todas as crianças são diferentes e que apesar de ser uma criança alérgica acaba por ter uma alimentação muito mais saudável. Em casa fazemos todos a mesma alimentação. Não entra nada que possa conter alergénios.

A Matilde diz para não ficarem tristes, que as alergias podem passar e se não passar as mães podem fazer em casa!

Deixo o link da reportagem e testemunho em primeira mão da Matilde:  https://youtu.be/VcUVQE2W2T0.

Vanessa Coutinho

(Mãe da Matilde)

Rute, 10 anos, alérgica a vários alimentos

Chamo-me Rute, tenho 10 anos, sou alentejana de gema e sofro de alergia alimentar. Descobrimos quando tinha apenas seis meses, quando comi a minha primeira açorda, depois com o passar do tempo descobriram a alergia ao ovo, ao peixe e ao tomate cru.

 Nunca comi um pastel de nata, mas sou feliz!!!

Sou a mãe da Rute. A Rute sofre de uma alergia alimentar como ela já disse.

A vida dela, aliás a nossa vida, teve que mudar radicalmente depois daquela noite no hospital, pois a Rute inchou toda parecia um balão, ficou com dermatite atópica até que lhe afectou a respiração… até que percebemos o que ela tinha e houve uma equipa excelente que nos ensinou a lidar com isto…

Começámos a demorar muito tempo nas compras, a ler rótulos para ver se os produtos tinham vestígios… Começámos a pedir para terem cuidado quando a beijavam, sim basta um beijo um toque. A Rute sabe o que pode e não pode comer agora, mas ao início foi muito complicado, as pessoas não acreditavam, pensavam que era paranoia dos pais. Já tivemos alguns sustos em restaurantes… Até que deixámos de frequentar para segurança da menina. Pois há muita falta de informação e as pessoas não entendem que é uma questão de vida ou de morte.

Como mãe peço que divulguem falem, gritem, pois tem sido uma batalha muito grande! Obrigada à Alimenta por divulgar e falar do assunto! Vamos mudar mentalidades, vamos fazer com que haja menos acidentes! Vamos fazer com que a sociedade mude… e vamos continuar a viver e a fazer de tudo para que a Rute seja uma menina muito feliz e com segurança.

Vice-Presidente da Alimenta integra Health Parliament Portugal

Ana Lúcia Silva, vice-presidente da Alimenta, foi escolhida, entre 442 candidatos, para integrar o grupo de 60 pessoas, que constitui o Health Parliament Portugal. Esta é uma iniciativa que irá replicar a actividade parlamentar em torno do tema da Saúde, durante os próximo 6 meses, promovendo o debate e emitindo recomendações sobre o futuro da Saúde.
Serão seis os temas a debate, sobre os quais serão pedidos aos participantes recomendações para o futuro:

  • O doente no centro da decisão – que impacto sobre os Profissionais e Cuidados de Saúde?
  • Ética – o que espera a sociedade dos cuidados de saúde?
  • Saúde mental – de parente pobre a investimento com retorno?
  • Barreiras aos cuidados de saúde – que desafios demográficos, realidades locais e futuras respostas?
  • Tecnologias de informação em Saúde – que promessas e desafios sociais?
  • Economia do conhecimento – como potenciar o impacto da I&D na economia?

Documento de Posição: A Interpretação de Testes de Alergia

O resultado de uma “task-force”, da Sociedade Europeia de Alergologia e Imunologia Clínica (EACCI), sobre a interpretação de testes de alergia foi recentemente publicado na revista científica “Allergy”.

Disponibilizamos um resumo, dirigido ao público em geral, traduzido pela Dr.ª Diana Silva, Imunoalergologista do Hospital de São João (Porto) e revisto pela Dr.ª Alexandra Santos, elemento da “task-force” e co-autora do artigo científico publicado na revista científica “Allergy”.

Documento de Posição: A Interpretação de Testes de Alergia