Sara, 3 anos, alergia às proteínas do leite de vaca e ao ovo

Sexta-feira 16th, Janeiro 2015 / 16:45

Chamo-me Susana e sou mãe da Sara Margarida, uma menina de 3 anos com alergias alimentares.

A Sara nasceu em Abri de 2011. Até aos 6 meses a alimentação foi leite materno exclusivo. Depois chegou a altura de preparar a entrada no infantário e o meu regresso ao trabalho.

Introduzi a papinha de farinha não láctea com um leite adaptado para a idade dela. Ao 13º dia teve a primeira reação. Vomitou tudo durante a noite e no dia seguinte teve mais um episódio de vómito. Falei com a pediatra e aguardámos para ver como corria o dia seguinte (nota: não havia mais nenhum sintoma). E ao 15º dia de papinha, ela terminou de comer e começou a ficar com urticária na metade esquerda da face, e o olho esquerdo todo vermelho também. Foi a nossa primeira ida ao serviço de urgência. A médica que estava no serviço fez as perguntas todas e disse que era uma reação alérgica a qualquer coisa, e mandou retirar a papinha e o leite. Receitou um anti-alérgico e recomendou uma consulta com a pediatra para relatar o sucedido.
E assim foi. Dias depois fomos à consulta, a pediatra fez o diagnóstico preliminar de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e disse que deveríamos consultar uma imuno-alergologista para fazer exames, confirmar o diagnóstico e preparar o acompanhamento da Sara.

Foi uma longa consulta, a médica perguntou tudo e mais alguma coisa, e depois passamos aos testes cutâneos. O teste foi feito para o leite total e cada proteína individualmente. Resultados todos positivos, sem qualquer margem para dúvida. O exame também indicou que a alergia mais elevada é a da caseína.

Seguiu-se um período de adaptação ao novo leite e às papinhas. Apareceram ainda pequenas reações em torno da boca, e lá tivemos de fazer testes com o leite e as papinhas que a Sara já tinha experimentado para descobrir o que estava a fazer reação. A médica passou um outro leite extensamente hidrolisado de caseína que a Sara toma até hoje.

Aos 12 meses, chegou altura de introduzir o ovo. Foi tudo combinado com a alergologista. Fez-nos um plano com as quantidades e os dias para fazer. Só misturei 1/4 de gema de ovo com o puré de legumes em dois dias diferentes, e ela vomitou tudo cinco minutos depois. Falei com a médica, suspendemos a introdução e marcámos testes. Tudo positivo.
Aos 13 meses a Sara teve uma reação grave de anafilaxia. Tudo indica que comeu uma papinha com vestígios de leite, mas a causa nunca ficou bem clara. Isto levou-nos a mais uma série de testes, que incluiu todos os cereais da papinha que ela tinha comido naquele dia. E tivemos mais uma surpresa: positivo para trigo, aveia e soja.

Desde então fazemos exames semestralmente. Em Julho deste ano repetimos as análises dos IGE’s e a alergia mantém-se elevada para o leite e ovo. Soja, trigo e aveia negativos.

Destaco dois aspetos como sendo os mais difíceis da vida de uma criança com alergias múltiplas: por um lado, a falta de informação sobre o assunto, e a dificuldade que temos em fazer os outros compreederem a gravidade desta patologia. Por outro lado, a busca por alimentos compatíveis e a necessidade de ler rótulos difíceis.

Tem sido uma aprendizagem crescente desde o primeiro diagnóstico. Aprendizagem a vários níveis. Sobre o próprio tema das alergias, sobre alimentação, receitas e tudo o que seja importante para fazer com que a minha filha seja feliz e tenha uma vida normal como as outras crianças não alérgicas.

A Sara tem uma alimentação equilibrada e diversificada. À excepção do almoço e lanche da escola, praticamente tudo é cozinhado em casa. Desde os 2 anos que tem consciência que não pode comer de tudo, e atualmente já sabe que tem de perguntar o que pode ou não comer. Nunca mostrou qualquer tipo de descontentamento com a sua realidade, porque sabe que estamos sempre preparados com uma alternativa para ela.
Esta aprendizagem contínua motivou-me a partilhar as minhas experiências com os outros, com o objetivo de ajudar outras mães que passam pelas mesmas dificuldades e/ou que estão agora a começar a lidar com esta situação.

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